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quinta-feira, 29 de setembro de 2016

BattleField

​-mais café na mesa 3 Alisson.
-já estou indo, pera ai. - respondeu a jovem garçonete limpando os farelos de pão da mesa 5 ainda que um garotinha tinha deixado.
Foi até o balcão e jogou o paninho na pia e pegou a jarra de café, limpando a outra mão no avental.
-café? - ofereceu chegando a mesa 3.
-Obrigada querida! - respondeu a fiel cliente.
Alisson sorriu.
-Esta sabendo da novidade querida? - perguntou a cliente, com os olhos brilhando e fixos em Alisson. -O que? Vou finalmente ganhar uma gorjeta? - disse ironicamente ela para cliente, com os olhos brilhando também.
-Melhor que isso sua tolinha! Fiquei sabendo que o proximo navio de carga vem trazendo algo de valor de verdade! - disse a cliente baixando a xícara de café e dando um tapinha na perna dela.
-Dona Steffane, continua saindo com esses marinheiros babões?
Dona Steffane ruborizou.
-Ora Alisson, a carne é fraca! Sabe que músculos, uniforme e cerveja me deixam doidinha.
Alisson rio e balançou a cabeça.
-Enfim! Fiquei sabendo que eles irão até uma ilha longínqua a pedido de um rei buscar seus filhos que estão fugindo, e virão pra cá, esse pais esquecido pelo Criador. - disse tomando um gole do café fumegante.
Alisson torceu a face com confusão e desgosto. Não havia nada que mais quisesse com tanta força do que ir embora daquele lugar.
-Para fazer o que aqui?
-Ninguem sabe! Só estão cumprindo ordens, até porque, a bufunfa vai ser das grandes. Pode ser sua chance querida. - Steffane deu mais um tapinha na perna.
-De que?
-De conseguir um namoro bom pra vc, e melhor ainda, um principe. - os olhos de Steffane brilharam. Dona Steffane foi baba de Alisson quando era pequena, quando seus pais se separaram e seu pai sempre tinha rondas noturnas para fazer como vigia do bairro.
-Vc sempre querendo me casar com alguém. Sabe que não ligo para isso agora, quero só sair daqui e correr pro Inglaterra para fazer meu intercâmbio.
Ela sempre teve vontade de estudar fora, mas quando sua familia de desmantelou e deixou de ser 'fácil de lidar' como qualquer familia Sul Americana, correr daquele lugar virou a prioridade de sua vida.
-Claro minha querida! Mas com essa piada de salário que recebe aqui nunca conseguirá, mas nada que uma coroa cravejada de diamantes não resolva, não é? - ela deu uma piscadela para Alisson que riu e concordou com a cabeça.
-E ela lá faz por merecer? Vamos Alisson! Mesa 7 está chamando. - disse Alexandre, dono do estabelecimento que a chamou por cima do balcão.
-Cadê a Amanda? Ela tá sempre em pausa é? - disse Alisson dando uma piscadinha para Steffane e indo até a mesa.
-Não reclame! Essa piada de salário é o que eu posso te pagar por ser tão molenga. - disse ele, limpando os copos na pia, bufando.
Alexandre não era uma pessoa ruim, na verdade, Alisson gostava muito dele e ele cuidava muito bem dela, do jeito rabugento dele, mas cuidava.

-Voce vai trancar aqui Amanda? - gritou Alisson no final do expediente.
-Pode deixar, eu vou trancar, vai embora logo. - resmungou Amanda, puxando mais um trago no cigarro.
-Então tchau! - correu ela para fora da loja, vestindo o casaco e jogando a mochila nas costas, finalmente a caminho de casa.
O ar saia pela boca resfriado. O inverno estava realmente pegando pesado esse ano, o que era raro em um pais equatorial.
Alisson chegou em casa o mais rápido que pode e jogou a mochila no chão e foi direto pro sofá.
-Pai? - gritou, mas não teve resposta. -hmm… deve estar na ronda dele já.
O pai dela era aposentado já, devido a um acidente de trabalho nas pernas, o que o fez ficar muito tempo na reabilitação. Com todo o dinheiro gasto, com todas as depressões, privações e afins, a mãe da garota não aguentou e se mandou de um dia para o outro, deixando eles a se virarem.
E foi o que fizeram por muito tempo. ​ Alisson teve que mudar de escola, tiveram que vender a casa e mudaram para um apartamento menor, mas eles se viraram.
Com muita preguiça subia para seu quarto e arrumou suas coisas para o dia seguinte, e com a janela aberta, podia ver o porto com o mar calmo, a luz da lua brilhando azulada tremeluzindo e navios, cordas, contenders e pequenas luzes amarelas dos marinheiros com seus lampiões em rodas.
Allison sorriu ao pensar: príncipe… até parece! Ainda existe algum lugar que a realeza tenha que fugir para se salvar? Que piada Steffane.

Mas em um daqueles contenders pela janela, grande e frio, havia a realeza fugitiva, que tremia, sujos e com medo, respirando pausadamente para não serem ouvidos, abraçados, irmão e irmã, rezando para não serem traídos por aquelas pessoas que seu pai arranjou para os levarem para longe enquanto tudo desmoronava léguas atrás deles.
-E se morrermos aqui Peter? - diste a garota, a boca mal mexendo, e os olhos cheios de lagrimas.
-Vai dar tudo certo Lucy, é só por enquanto, logo estaremos em casa. - respondeu o irmão, tentando sorrir e retirando aquele luz quase inexistente de esperança que tinha, para acalmar a irmã, mas ele mesmo não acreditava em suas palavras.
As portas enferrujadas do contender sacudiram quando pousaram no chão e os irmãos caíram para o lado pelo impacto. As portas rangeram ao se abrirem e dois homens altos, adultos e com lanternas os chamaram baixinho pelo nome.
-Estamos aqui. - sussurrou Peter, ajudando a irmã a se levantar.
-Venham conosco, temos que correr, um carro nos espera.
Peter ergueu a irmã que foi correndo ao encontro do homem, quando ele a segurou pelo braço.
-Quem são vcs? Como saberemos se são os homens que nosso pai contratou? - perguntou serio e Lucy, recuando devagar, ficou ao lado do irmão.
-Não temos tempo para isso moleque, vamos logo. - disse um dos homens que era mais rechonchudo e parecia de saco cheio de todo o procedimento de segurança.
-Aqui olha. - o mais barbudo retirou uma moeda dourada do bolso. - é a moeda do seu pais não é? - disse estendendo a moeda para eles, não se aproximando.
Peter verificou a moeda e viu talhado no metal precioso a foto de seu tatara tatara tatara tatara tatara tatara avô. Fez sinal para Lucy e ambos saíram correndo do contender e seguiram os homens até um carro preto que estava perto do cais.
O carro estava quente e macio, e Lucy se aninhou em seu irmão, para aquecer mais rápido, e logo caiu no sono, já que nenhum dos dois havia conseguido dormir na viagem.
-Calma! Vamos levar vcs para um lugar seguro. - disse o rechonchudo, que vendo os irmãos assim, tão indefesos, sujos e cansados, teve empatia por eles. -Durmam um pouco, teremos que ir até o outro lado da cidade.
Peter queria ter conseguido ficar acordado, para ver a cidade, ver como eram as pessoas e quanto seria difícil de adaptar, mas logo que o carro começou com sua sacudida leve, o rádio baixinho com uma musica tranquila, deixou-se cair no sono.

No cais, alguns momentos depois dos irmãos serem levados, uma figura negra saiu do canto escuto do mesmo contender, se arrastando como se estivesse machucado, e sumiu por entre os barcos, cordas e pequenas luzes dos lampiões dos marinheiros e como se nenhum mal estivesse para acontecer.

-by Elize Blackmore
(inspirado em um sonho)

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Tomorrow is another day

Fui arrastado para dentro do covil do caçador pela blusa, quase sendo rasgada.
Ele se escondia em uma fenda na montanha, já que toda a caça que fazia por ali era ilegal e não podia ser encontrado.
Ele não precisou me amordaçar, não importava o quanto eu gritasse, não havia nada e ninguém a léguas de distancia.
Arrastado escada a baixo, tentei me desvencilhar da mão enorme que me agarrava o braço, mas a gigante salamandra verde que ele tinha chamada Joanna, sibilava para mim ameaçadoramente. McLeach, o caçador, me encostou na parede e puxando facilmente uma corda do seu balcão, me amarrou com as mãos para trás, machucando meus pulsos pela força, e me arrastou para me sentar em um casco de tartaruga que usava como cadeira.
O casco de uma tartaruga jovem…. estava vazio.
McLeach me encostou na parede, de costas para um mapa grudado bem grande da região . Eu olhei em volta e reconheci as localidades naqueles lugares como a palma da minha mão. Enquanto alguns conheciam muito bem cada mata para caçar, alguns conheciam muito bem para salvar a todo o custo. Ele começou a esquentar um grande caldeirão de água em sua lareira que servia de fogão. O lugar era mofado, sujo, apertado e frio, coberto de cascalho de pedras, e com poucos utensílios domésticos. Indo até uma gaveta, ele pegou três facas enormes.
-Vamos ver o que podemos fazer para refrescar essa sua… memória enferrujada.
Meu coração congelou, e a tremedeira ficou ainda mais visível.
McLeach me sequestrou no meio do caminho para casa, quando viu o presente que havia acabado de ganhar: Uma pena dourada gigante, da águia que havia libertado de uma armadilha e passei a amar tão rápido, chamada Marahute. McLeach estava atrás dela a meses, já que era uma espécie ameaçada de extinção e haveria muito dinheiro envolvido em empalhar, despenar, vender para zoológicos internacionais…
Ele sabia que eu sabia onde era o ninho e onde ela descansava, e eu também sabia que se dissesse algo, a mataria e me arrependeria disso pro resto da vida.
-Será que ela está na Serra Satã… - McLeach falou alto e arremessou a faca em minha direção com força.
A faca furou bem na localidade da serra no mapa atrás de mim, e o meu coração quase saia pela boca e eu tinha certeza que estava pálido como um ovo.
-Ou no Canyon do pesadelo? - arremessou outra faca que pousou ainda mais próxima de mim.
Eu quase suave frio agora.
-O que acha joanna? - ele se virou para seu bichinho de estimação, que se banhava em uma bacia de água morna e sibilava em resposta. -é… é isso! Deve estar bem ali no meio, na cascata dos crocodilos não?
Eu conhecia o mapa, se o Canyon estava a minha esquerda, então o cascata estava um pouco a cima da minha cabeça. Eu olhei para os lados rapidamente, travando de medo.
Ele arremessou a faca com força, e eu baixei por reflexo e ela passou ainda muito perto de mim, senti sua lamina soar em meu ouvido antes de furar a parede.
-Estou ficando quente? - falava com um olhar vidrado em mim, com um sorriso maléfico.
Tentando parar de tremer e fazer minha voz sair controlada, respondi:
-Eu já disse, eu não me lembro.
-Será que vc não sabe que uma ave daquele tamanho vale uma fortuna? - ele avançou para cima de mim, empunhando a ultima faca e cravou ela a milímetros do meu rosto e quase colou seu nariz com o meu.
-Uma criança como vc, não vai receber oferta melhor do que a minha. - disse com hálito de bebida e falta de pasta de dente, sorrindo como lunático.
Ele prometerá me deixar ir e 50% do valor de Marahute se dissesse onde que ela estava e seu ninho. A prepotência de um caçador ilegal é revoltando, mas de McLeach superou todos os babacas que já tinha visto, e aquela oferta me ofendia juntamente com a raiva de estar impotente diante disso. Mas com o triunfo de apenas eu ter a informação que ele precisava, respirei fundo, com raiva no olhar.
-não tem dinheiro nenhum depois que os guardas te pegarem. - disse firme, franzindo a testa e segurando o olhar para não demonstrar meu medo.
O sorriso desapareceu e a raiva emergiu.
Ele soltou a faca perto do meu rosto e a deixo lá, se afastando gradualmente de mim, encurvado e com os punhos cerrados. Ele foi até o caldeirão com a água já fervendo e borbulhando.
Fiquei olhando firmemente para ele, imaginando se não ia me torturar jogando a água em mim ou colocando meus dedos, não sei! Tudo passa pela cabeça de alguém com medo.
McLeach rosnou em frente ao fogo e gritou alto de raiva, chutando o caldeirão com toda a força com o pé, fazendo respingos de água irem para todos os lados e a água se esparramar no chão com muito vapor. Joanna se assustou e se encolheu dentro da bacia.
Tremendo ainda, e respirando o mais silenciosamente possível, sabia que aquele cativeiro ia ser longo, porque nenhuma das partes ia ceder.

- By Elize Blackmore 
(releitura de Bernardo e Bianca II)

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Salvation

Eu subi as escadas da saída de emergência do prédio e o ranger do alumínio era desesperador.
Era a terceira vez que estava tentando escapar do enclausuramento que me deixaram, e era a terceira vez que viam atrás de mim sem muito intervalo entre minha fuga.
Sempre conseguiam me pegar e dessa vez nao foi diferente.
O lider dos sequestradores me agarrou quando estava subindo um das ultimas escadas do prédio, me imobilizando com um abraço de urso forte e me jogando no chão com força.
"Calminha ai. Calminha ai." repetiu ele com sua voz arrastada de patife que eu já tinha cansado de ouvir.
"Me deixa ir, me deixa ir pra casa" eu implorava, sempre em vão.
Ele me amarrou com uma corda rapidamente e empurrou escada abaixo. Os becos eram tão desertos e o bairro tão imundo e perigoso que mesmo com meus pedidos de socorro, ninguem ousava sair para ajudar ou ao menos ligar para policia. Ali, se quisesse ficar vivo, ficava de boca fechada.
Descendo todas as escadas, ele me jogou dentro do furgão com cheiro de rato morto, me levando novamente para 'o quarto', como eu acabei nomeando.

"Saiu de novo, a fedelha?" perguntou um dos panacas quando chegamos novamente na casa aos pedaços, sem reboco e velha que me mantinham.
Ou melhor, nos mantinham.
Eu me sacudia sem parar e como sou pequena, era mais fácil de quisesse passar por debaixo das pernas, mas não adiantou nada.
"Não foi na minha tocai" afirmou o outro com uma garrafa de bebida na mão.
O chefe não disse nada, apenas me levou para dentro e me jogou no quarto minusculo, com uma janela com grade e persianas quebradas, em uma das camas com ferrugem e colchão rasgado. Eu cai de lado, batendo o ombro da quina da cama.
"Pode me soltar agora" eu disse, arfando pela corrida ainda.
Ele me encarou e chamou o capanga que estava bebendo, disse algo no ouvido dele que o fez sorrir e sair.
Eu sabia o que ia acontecer agora.
"Vc sabe que não pode sair daqui, e sabe o que acontece quando sai." disse com um sorrisinho de lado pavoroso. "tem que servir de lição para todos."
Com todos ele quis dizer todos que estavam ao meu redor no quarto minusculo ouvindo a conversa. Eu não entendia se eles eram apenas doentes da cabeça ou se esperavam receber algo por aqueles sequestros, mas tinha de tudo lá: crianças, adolescentes e idosos, todos nós enjaulados no mesmo canto e com o mesmo medo. Eu era uma das mais antigas lá, exceto pelo Jack, o John e o Eliseu, que eram os idosos, que mal tinham reação para qualquer coisa mais. Eles nunca me disseram a quanto tempo estavam lá, mas considerando que era minha terceira fuga, talvez possa imaginar.
O bêbado voltou com um maçarico.
Tentei me levantar, mas com os braços ainda presos, mal consegui me mover no chão, e o chefe me ergueu e me segurou em um abraço de urso comigo de costas.
Eu gritava para qualquer um me ajudar, mas todos os recém chegados estavam apavorados e o antigos da casa, já não tentavam mais nada.
"Pegue o calcanhar agora" disse.
Sempre que eu tentava fugir, eles queimavam alguma parte do meu pé. O meu dedo médio já estava cicatrizando, mas minha sola ainda estava um tanto sensível em carne viva.
O chefe me segurou com força e o panaca bêbado começou lentamente a aproximar o maçarico e eu enfiei meu rosto entre as blusas e jaquetas dele e tentei não gritar, segurando ao máximo que podia a dor lancinante de uma pele queimada.
Depois de uns 5 minutos disso, ele me soltou no chão, me desenrolou da corda e saíram calmamente, trancando a porta.
Eu estava muito tonta e pensar em me mexer já doía, então fiquei ali parada por mais ou menos 2 horas, encima do piso de madeira mofada, entre acordada e desmaiada.
Depois de um tempo, Eliseu finalmente saiu do seu canto do quarto, onde ficava sempre, todos os dias olhando pra parede, e foi até mim. Arrancando um pedaço de sua blusa, o menos sujo, e tentou enrolar o meu pé para pelo menos não ter contato com o chão sujo.
Ele fez isso sem dizer nada.
Todos cochichavam entre si lá dentro, os adolescentes mais velho protegendo as crianças, e as crianças chorando. Eu mal sabia o nome delas.
"O... obri...obrigada" disse eu assoprando praticamente um agradecimento, pois era tudo que eu conseguia fazer já que queria continuar a engolir os gemidos de dor.
Ele acenou com a cabeça e não disse nada.

- By Elize Blackmore
(inspirado em um sonho recente.)

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Nightmare - Parte 1

Meu trabalho ao entrar naquela baile da virada no enorme castelo dos Calliham era simples: encontrar a porta que levava até o terraço e plantar uma pequena luminária com localizador via satélite para colocarmos finalmente nosso plano em prática.
Jéssica e eu entramos vestidas para a noite de gala que se alongaria até o sol nascer, ou seja, muitas pessoas dançando, gente bêbada e casais se escondendo por todas as partes, era o ambiente perfeito.
Saimos do carro alugado e nos misturamos com todos os outros convidados. Os vestidos muito coloridos e maquiagens pesadas davam o toque de ‘máscara’ para todos nós, passar por aquelas paredes ia ser fácil demais, o difícil era achar a porta.
O castelo já tinha seguranças normalmente, mas com essa super festa, os olhos e ouvidos dos homens de preto e gravata estaria mais atento que nunca, e o lugar era realmente um castelo, então portas e câmaras secretas estavam por todo o lado como bordados e gatos na casa dos avós.
Passamos no detector de metais e revistaram nossas bolsinhas minúsculas, nem que quisesse poderia levar mais de um batom naquela coisa.
Sucesso!
Jéssica olhou para mim nervosa e eu retribui com um olhar confiantemente falso. Não queríamos nos separar, mas ver duas garotas juntas, abrindo e fechando portas por todos os lados, sem nenhuma companhia, levantaria suspeitas com certeza.
Nos entre olhamos e desejamos ‘boa sorte’ ao sussurro e nos dividimos, uma para a esquerda e uma para direita.
Passar entre as pessoas era fácil, o difícil era evitar os diversos stands de brincadeiras e mágica que se estendiam pelo salão principal. Todos ficavam ao redor para ver as atrações e muitos já seguravam taças e copos de vinho, champagne e whisky. A música alta obrigava todos a terem que gritar pra conversar.
Cortando caminho entre as pessoas, olhando para todos os corredores que o salão principal levava, tinha que escolher um para começar. Fui em direção ao corredor que levava até o pátio, talvez de lá já pudesse escolher mais de um lugar e ‘me perder’ de toda essa gente.
Tentando alcançar a entrada, não apenas os garçons e as pessoas dançando eram um desafio, mas o monte de homens que pegavam em minha mão e tentavam me puxar pra uma dança ou uma conversa baforada com álcool. Me afastava o mais rápido possível, puxando minha mão depressa. Alguns brotavam na minha frente, me pegando pela cintura, e eu os empurrava para saírem do caminho. A música abafava os xingamentos.
Alcancei a saída do salão principal e o pátio estava bem mais arejado, com uma grama verde no centro e divisórias de vidro ao redor do pequeno gramado. Caminhei pelo corredor e entrei por um caminhado coberto, ali ainda era permitido para os convidados, então, nada de seguranças.
Subi uns degraus e cheguei em um corredor com alguns casais já conversando e ne aninhando nos cantos. Segui meu caminho até a única porta que havia naquele lado, fingindo ser uma ‘turista’, passeando pelo castelo.
Ao entrar por ela, vi uma escada longa que subia.
Na mosca!
Subi uma centena de degraus rotatórios rapidamente, positiva que o resultado seria direto para o terraço.
Mas tive uma surpresa.
A escada rotatória terminava, simplesmente terminava na metade, levando a lugar nenhum, deixando um espaço longo vazio com uma queda para o começo novamente.
Fiquei sem entender nada. Talvez fosse uma armadilha do castelo, essas construções antigas tinham muitas armadilhas escondidas para os tempos de guerra, talvez essa fosse para encurralar os inimigos e lhes dar apenas uma saída. Enfim não importava, tinha de voltar e sair.
Quando pensei em descer tudo novamente, já cansada pela ansiedade anterior, pensei em pular de onde estava para o começo de uma vez, não era tão alto assim e me economizaria tempo, e já que não havia ninguém, poderia pular de qualquer jeito e me recompor depois.
Assim que me preparei na beirada para pular, a porta se abriu com um baque enorme, e logo recuei para me esconder. A distância acima era razoável, mas era possível me ver da porta de entrada, e meu vestido não exatamente camuflado no escuro.
Sai da beirada, e me encolhi em um canto, rezando para que não fosse algum segurança que me avistou entrando.
“Hahahaha pare com isso” ouvi uma voz feminina meio lesada.
“Você adora quando eu faço isso” outra voz, mas masculina, também meio lesada.
Era um casal alcoolizado.
Eles subiam as escadas cambaleando e rindo alto.
Não sabia se iam subir até o topo, então fiquei paralisada esperando.
“Vem aqui” disse a voz masculina, e os passos pararam.
Só ouvi um tombo abafado na escada e um barulho de vidro se quebrando.
A respiração deles ficou ofegante e eu bloqueie o resto. Tinha que sair dali o mais rápido possível, o relógio já marcava 11h30 e eu tinha até as 6hrs no máximo para ter sucesso.
Mais um baque forte na porta. Fala sério.
“Quem está ai?” era uma voz grave e firme. Um dos seguranças desta vez.
Os passos eram fortes e subiam escada acima.
“Droga” ouvi o homem falando.
“O que pensam que estão fazendo aqui? Esse lugar não esta liberado para a festa, saiam daqui” bradou o segurança e o eco foi por toda a parte.
“Estamos saindo” disse a voz feminina, parecendo risonha ainda.
Ouvi os passos acelerados do casal saindo, mas não ouvi o do segurança.
Ele subia escada acima para verificar se havia mais alguém ali.
Tinha que pular assim que eles estivesse perto, assim poderia correr e me esconder e ele não teria tempo para me alcançar.
Os passos ficaram a meia distância de mim, e com os sapatos na mão, saltei.
Cai no pé da escada, a meio metro da porta, não tão suavemente quanto gostaria.
“Hey!” ouvi o segurança exclamar e descer apressado escada abaixo.
Levantei o mais rápido que pude, percebendo que havia torcido meu pé, e corri a toda velocidade que consegui porta afora.
Procurei algum lugar pra me esconder e nada, então refiz o caminho pelo corredor às pressas, passando e mancando entre as pessoas para o pátio.
Ao chegar, coloquei os sapatos novamente e me misturei as pessoas que estavam ali, secando o suor com as mãos e tentando andar calmamente como se estivesse apenas apreciando o lugar.
Vi o segurança aparecer arfando e olhando para todos os lados. Não poderia me reconhecer porque não viu meu rosto, então seria como procurar uma agulha no palheiro.
Pareceu frustrado e irritado, e seguiu caminho para o outro lado.
O acompanhei discretamente com os olhos e suspirei quando o vi indo embora.
Andei em direção a parede para me encostar e descansar o pé. Me encostei, relaxando a tensão das costas, colocando a cabeça pra trás e fechando os olhos por um segundo.
“Está fugindo de que?” perguntou uma voz masculina forte, mas gentil, bem próxima.
Quando abaixei minha cabeça para olha-lo e logo me desvencilhar de outro babaca, seu braço estava apoiado na parede, cercando meu lado direito e seu rosto a um palmo e meio de mim, com seus olhos muito verdes olhando pra mim, seu rosto com traços fortes, mas juvenis, com roupa social, mas sem o terno, com um sorriso de lado.
Fiquei, como se diz, sem fala por um instante.

(By Elize Blackmore)

domingo, 22 de junho de 2014

Come what may

-Olá!
-Oi
-Merda de vida né?
-Nem me fale!

Hoje eu acredito que muitas coisas podem vir de algo simplório.
Eu não planejava me destrancar, eu não queria viver toda aquela ansiedade novamente, eu não queria andar de pernas pro ar sem chão... mas eu nem fiz questão de desviar o olhar quando encontrei seus olhos tímidos, não fiz questão de não me aproximar e saber seu nome e sair daquela sala bagunçada aquela noite sem saber que dali pra frente, tudo seria diferente.
As conversas rolaram fácil, o diálogo era leve e tão divertido. Já confessei que tentei ao máximo segurar todo o nervosismo que senti ao te encontrar escorado no corrimão daquele grande prédio nos esperando? Já confessei que sua calma e delicadeza de chegar até mim foi tão compreensiva, que ao retirar por um momento para refletir a única coisa que consegui pensar foi: ‘não acredito! Eu não estou com medo’... já te disse que isso foi uma vitória enorme?
Naquele dia, e aqueles outros dias, eu sorri por sorrir. Não sei como as coisas tinham acontecido tão rápido, mas muitas vezes é melhor não perguntar por que.
Eu aceitava como fosse.
Lembra quando aquela garçonete daquele restaurante que adoramos perguntou como eu estava sobre sua tão breve partida? Lembra que eu respondi que ela não acreditaria na história? Era porque eu mesma não queria pensar em como eu ficaria quando vc fosse, e como seria o final da história.
Eu ainda tenho medo de escrever sobre isso, também confesso. Porque eu não quero que tudo se torne lembranças azuis descartáveis, eu não quero me forçar a esquecer seus gestos e suas gírias, eu não quero ter que dizer pra mim não falar, não conversar.
Não quero não ter vc.
Queria que tivéssemos mais tempo entre o hoje e o amanhã, entre a despedida ao lado do carro, e o aeroporto lotado, para fazer tudo sem pressa e poder ainda melhor, fazer tudo sem esse medo.
Mas eu igualmente decidi, eu vou tentar.
Seja com planos ou sem eles, com medo, com pressa, com incerteza... seja como for, eu vou tentar. Porque eu já me escondi demais no passado, e acabo achando que eu o deixo controlar meu futuro, porque o único tempo que podemos ter certeza, é do que ficou pra trás, mas se está lá atrás, é porque não deve mesmo fazer mais parte do futuro.
Eu também ouço em algumas das suas palavras rápidas, uma voz lá no fundo também pedindo para não ser machucado, porque fomos, tão cedo.
Aqueles finitos dias que passamos fisicamente juntos, se tornaram meu pequeno infinito numerado, e são eles e todos os outros que ainda estamos contando, que me fazem acreditar sempre que teremos outros iguais e melhores.
Eu acredito, e afirmar isso é uma verdadeira vitória para a eu de meses atrás.
Foram, são e serão esses dias que sempre vou agradecer, porque independente do que acontecer, foram eles que salvaram meu coração, eu sei disso.
Não gosto de como vc parece longe, mas adoro o quanto tentamos ficar perto. Eu adoro o quanto estamos próximos, eu adoro o quanto confiamos um no outro, eu adoro as risadas e a discussões sem importância, eu adoro o ciúmes bobo que me deixa tensa, eu adoro nossos costumes, adoro nosso jeito juntos, eu adoro nossos planos, eu adoro as idéias, eu adoro suas surpresas, eu adoro... o conjunto de tudo que forma o vc para mim.
Como já dissemos, essa luta vale a pena. 

Com todo o folego da coragem que acho que reuni nesse tempo eu realmente digo que me fez feliz e me faz feliz acreditar nessa história, e não importa o que os outros digam, o que o passado grite, o que a insegurança e o medo formulem, eu vou dar um passo à frente nesse escuro com a luz no fim do túnel.

Eu espero, eu acredito, eu oro, eu torço, eu planejo, eu desejo, eu sonho.
Aquelas flores do parque público que parecem contar minha vida em folhas e pétalas, dessa vez serão as  testemunhas cor-de-rosa, não mais do choro e da dúvida, não mais de resignação, não mais dos ‘por ques?’ e não mais das minhas expressões com olhos longe ao nascer do sol, mas sim, de finalmente, uma esperança.
E no oitavo dia do décimo segundo mês, eu vou dizer:

“Nos vemos amanhã.”

(by Elize Blackmore, for you)

domingo, 22 de dezembro de 2013

The hostage - parte 1

Fui seguir pistas de locais cruzados com as cenas do crime de Damien e acabei abrindo os olhos e vendo algo totalmente diferente do armazém em que estava.
Devo ter apagado por umas 4 horas, porque Damien nao estava por perto quando acordei, só chegou quando sacudi com força as cordas a que estava presa. Totalmente atada aos braços e pernas da cadeira. 
-Finalmente, tive medo de ter te matado. Vc é fraquinha pra aguentar essas coisas né? Nunca se drogou antes? - disse ele quando entrou em cena, saindo da parte escura da casa onde estavamos. 
-Gosto do meu cérebro intacto pra pensar, evito qualquer coisas que o frite. - respondi esquadrinhado o local e percebendo que estavamos em um lugar novo, uma casa de familia, bem mobiliada e grande. 
Sabia que era de familia.... porque havia duas adolescentes amarradas no chão, amordaçadas, com lagrimas fazendo poças no chão, olhando pra mim com desespero.
Eu olhei pra elas, a adrenalina subindo a cada inspirada de ar.
-Calma! Eu vou ajudar vcs, não se preocupem. - eu tentei acalmar as garotas, deixando meus olhos firmes nelas.
Damien rio.
-Claro que vai! Vai ajudar sim... depois que alguém ajudar vc. - ele disse se ajoelhando na minha frente.
-Sabe muito bem pra quem eu trabalho e saiba que vão me achar e....
-Mas é exatamente isso que eu quero! Quero o doutorzinho bem na linha de frente quando chegarem aqui. - Agora Damien apertava meu rosto com as mãos, falando com uma voz esganiçada. Era sempre assim quando ele falava sobre Lloyd.
Ele me soltou e se afastou, indo até as meninas.
-Espera... para! O que vc quer saber? Fale o que vc quer? - disse me sacudindo ferozmente. -Só vai piorar sua sentença quando te predermos se fizer alguma coisa com elas. - eu disse, me balançando freneticamente na cadeira, gritando enquanto as garotas se encolhiam um ao lado da outra, tentando se proteger.
Damien olhou pra mim.
-Qual é a localização do QG da sua equipe? - ele perguntou virando-se pra mim, ainda perto das meninas.
Eu o encarei por alguns segundos.
-Para que quer saber isso?
Ele puxou uma das meninas que gritou abafadamente, cambaleando ao andar. Ele apontou uma arma pra cabeça dela.
-Onde? 
-Não sei! Eles nos levam com um furgão até lá, é tudo blindado e fechado, não tem como vermos o lugar!  
- Posso muito bem matar essa garota  já que não pode ser útil pra mim. -  ele disse aproximando a menina do corpo dele.
-Não! Não a machuque, seu problema é comigo! - eu me remexi mais pra inutilmente tentar alcança-lo.
Ele soltou a menina com um puxam de cabelo que a fez cair no chão com um estrondo, e indo até mim, ele virou o cano do revolver no meu rosto em uma pancada com força.
Senti o impacto do aço frio cortar minha bochecha e me dar uma dor de cabeça instantânea.
-Acha que é vc que eu quero sua vadia? Claro que não! Eu quero o Doutor! O louco que vcs ainda mantém na equipe. - ele disse, nao se exaltando, mas com muita raiva na voz.
-Louco? Uma matraca, sim, idiota, com certeza, mas o unico louco aqui é vc Damien, como ele sempre disse! - sabia que toda a atençao e ira dele tinha que ser voltada pra mim, assim ele não machucaria as duas garotas.
Ele rio e se ajoelhou pra ficar de frente pra mim, me encarando com seus olhos finos e negros.
-onde é esse maldito lugar? - Damien apontou a arma para meu joelho.
O tremor começou sem que eu pudesse conter.
-Solte essas meninas! Elas não tem nada a ver com isso, vc só irá... - mas antes que eu pudesse terminar, ele martelou meu joelho com o cabo da arma.
O impacto fez com que eu gritasse de dor.
-Se não me disser onde está, eu vou começar a machuca-las bem devagar. - disse ele, olhando de canto do olho para as elas, que tremiam o dobro de mim, com lágrimas de pânico rolando pelo rosto vermelho.
Eu tentava puxar o ar para os pulmões.
-Deixe... Deixe elas irem e eu levo vc até lá...! Mas solte elas primeiro. - arfando, tentava pensar em qualquer coisa para agir.
-não tem acordo. Ou vc me diz, ou eu mato elas, é bem simples. - Damien se levantou e apontou a arma para as meninas.
-Se eu disser ou nao, vc vai mata-las de qualquer jeito, não? Mas saiba que se mata-las, não vai conseguir nada de mim. - disse encarando-o firmemente, forçando cada músculo a ficar estável, engolindo a dor que tremia minha cabeça e queimava minha perna.
-não vai mesmo tentar a sorte? Pela vida delas? - disse com sua voz maçante.
-eu já ofereci o que vc quer, agora é sua vez de concordar. - tentei olhar rapidamente pela janela através das cortinas pra tentar me localizar, se visse uma única rua ou casa, já saberia imediatamente onde estava, mas mal conseguia enxergar a silhueta de Damien bem na minha frente pela escuridão.
Ele se inclinou para mim novamente e colocou a arma na minha barriga.
-Sabe como eu sei que vc vai me dizer de uma forma ou de outra? Quando eu começar a brincar com elas, vc vai gritar tudo que eu quero saber, e assim vou poder conseguir tudo que eu quero. - disse, afundando mais o cano. -Vc e o doutor... vcs trabalham com o cérebro, mas cedem fácil a essas coisas, acham que são pessoas boas só porque não matam com as mãos, mas matam indiretamente, como ele fez, e como vc vai fazer agora.
Minha respiração estava devagar e rápida ao mesmo tempo.
Eu não sabia o que fazer ou dizer... Damien estava certo.
Ele viu minha total falta de palavras, então sorriu sinistramente e olhou novamente as meninas.
-O doutor sempre diz que eu gosto de público não é? Que preciso de audiência para ver meu trabalho, então, espero que curta o show essa noite. - disse avançando devagar para elas.
Não iria adiantar, não fazia sentido e era completamente infantil, mas comecei a me mover de um lado para o outro, tentando virar a cadeira para outro lado, para ficar de costas para o 'show' dele. Não sabia se iria funcionar, mas precisava ganhar tempo. De acordo com a teoria do Lloyd. ele precisava de alguém para ver tudo dar os aplausos invisíveis.
Percebi que parou de caminhar e senti que ele me encarava, então me virou totalmente de frente novamente e acertou meu outro joelho, juntamente com um soco na barriga. 
Perdi todo o ar no mesmo momento.
Sentindo meus dois joelhos latejarem, meu rosto pingar e meus órgãos tentarem se reorganizar, ele sabia que eu não conseguiria mais me mexer. Eu não era como o Shea, não tinha músculos pra levar um surra.
Eu não conseguia nem gritar quando ele arrastou um das irmãs para longe da outra.
As lágrimas rolavam dos meus olhos agora, ardendo o corte do meu rosto e se confundindo com o sangue.
-Não faz isso seu desgraçado!
E com um estrondo forte da porta, eu apenas ouvi passos pesados vindo com rapidez.
-Ray? - sussurrei porque era tudo que conseguia fazer sair da minha boca e também não poderia gritar que havia federais na casa.
Os passos se apressaram em minha direção, e percebi que viam mais deles.
-Jane? Jane! - disse a voz forte de Ray quando ele me viu na cadeira da sala.
Ele se aproximou de mim com a arma na mão e eu apontei levemente para a garota no canto da sala, para ele pega-la primeiro.
-Lloyd desamarre elas, vou encurralar aquele maldito filha da mãe. - disse Ray saindo pelo corredor.
Ouvi os gritos da Erica e do Shea do lado de fora.
Lloyd foi até a menina e a desamarrou, dizendo que tudo ia ficar bem que agora ela estava a salvo. A garota tremia e dizia repetidamente 'pegaram minha irmã, ele pegou minha irmã'.
-Eles já foram atrás dele, sua irmã vai ficar bem, confie em mim. - dizia ele tentando ajuda-la a levantar do chão e ficar no sofá. -Eu sou médico, não se preocupe, vc vai ficar bem.
Ela sentou no sofá colocando os pés encima, respirando aos soluços, lágrimas caindo.
Lloyd foi até mim agora, levando meu rosto pelo queixo.
-Caramba... ele zoou com vc. - disse tirando as cordas das minhas mãos e desamarrando meus pés.
-Vc.... acha? - eu ainda estava recuperando o folego.
-Consegue levantar? Vou pegar alguma coisa na cozinha pro seu rosto. - disse se levantado pra ir procurar primeiro socorros.
Mas eu o segurei.
-Eu... não consigo levantar! Eu acho que... eu acho que ele deslocou o meu joelho. - me sentia tão patética pedindo ajuda daquele jeito, principalmente pro Lloyd.
-Tá... segura em mim que eu te coloco no sofá. - disse, colocando minha mão em volta do pescoço dele.
Eu ainda tremia muito e todo o corpo se remexeu com aquele movimento, parecia que eu ia quebrar ao meio.
Ele conseguiu me conduzir até o sofá e me colocou perto da menina.
-Vc... está bem? - perguntei olhando para ela.
Ela apenas fez que 'sim' com a cabeça, ainda tremula.
-Vou achar o primeiro socorros. - disse ele, virando-se novamente, mas seu o segurei pelo casaco de novo.
-Não precisa! Deixa, eu to bem! Só... não... deixa eu.... NÓS, aqui sozinhas por favor! - eu disse, idiotamente.
Ele me encarou por uns momentos com seus olhos azuis, assentiu com a cabeça e se abaixou ao meu lado.
Eu não sei porque fiz aquilo, mas peguei a mão dele e a segurei forte. Ele não disse nada, apenas apertou devolta.

Damien conseguiu fugir. Ele desceu até o porão, largando a menina e correndo para a rua pela segunda entrada externa.
-O perdemos de vista, ele saiu correndo pela rua e com essa escuridão não conseguimos ver nada. - disse Ray, voltando todo suado.
As irmãs se encontraram e se abraçaram com força, chorando e sentando no chão, agarradas até a ambulância chegar.
Eu havia mesmo machucado feio os joelhos e os médicos me deixaram enfaixada na traseira, com um curativo no rosto e uma aspirina.
-O que ele disse, queria alguma coisa? - Ray perguntou, com todos os 3 ao lado dele, olhando pra mim.
-Ele queria.... queria saber onde que no QG ficava, como me acharam?
-Rastreamento GPS pelo relógio que vc está usando. Acho mesmo que iamos deixar vc sair por ai pra pegar pistas sem algum localizador? - Ray parecia tranquilo, não feliz, apenas tranquilo de ver que eu não morri.
-E vc disse? - perguntou Shea.
-O que?
-Onde ficamos, onde nosso QG fica, vc disse? - perguntou Erica.
Eu sacudi a cabeça determinada.
-Não.
-Para que ele queria saber? Será que pretende ir até nós desse jeito? - perguntou Shea.
-Sendo ele, eu espero qualquer coisa. Tá, ele perguntou mais alguma coisa ou disse algo que possamos aproveitar? Sabe que pode me dizer, o que não faz sentido para vc, pode fazer todo o sentido pra mim. - Lloyd perguntou, sempre com aquele ar analítico.
Eu o encarei por alguns segundos, pensando sobre o que Damien havia dito de nós dois, que mesmo não sendo um gangster como o Shea, ou uma vingadora como a Erica, mas que também tinhamos as mãos sujas de sangue.
-Não. Nada.

(Inspirado na série Breakout Kings)

terça-feira, 26 de novembro de 2013

We Remain

Eles iam nos levar até a área do combate, mas aquilo era muito mais 'arrastar' do que 'guiar'.
Já estava combinado com os outros participantes, não iriamos mais aceitar aquilo, não mais. Ser usados como diversão, usados como placares pra apostas e rotação de dinheiro.
Não mais.
Os guardas fardados de branco nos arrastavam até área designada, e começamos a nos entre olhar, eu e todos os outros participantes, que eram mais de dez, e eu e ele nos olhamos rapidamente para passar a mensagem que já haviamos combinado no silêncio: protegeríamos um ao outro acima de tudo, a qualquer custo. Ele piscou para mim com aqueles olhos azuis como o mar, como geralmente fazia. Eu sorri ligeiramente.
Caminhavamos, ou melhor, eramos empurrados com gritos até as grandes portas da redoma, por corredores estreitos cheios de papéis na parede, divulgando nossa luta ridícula. Eu olhava para todos aquelas miseráveis propagandas com toda a repugnância que eu havia escondido desde dos 14 anos, quando entrei nesse viciante ciclo de dividas e mentiras. Agora com 20, não dava mais.
O sinal veio do primeiro participante da fila em que nos colocaram, ele se virou para um dos guardas e enfiou a faca que havia escondido nas vestes esfarrapadas.
Bem na barriga.
O alvoroço começou e foi então que nos desorganizamos da fila, cada um correndo para um lado do corredor estreito que estavamos passando, chutando, esmurrando, correndo, esbarrando, fazendo o que fosse preciso para nunca chegar até as grandes portas de madeira, que de lá, só poderiamos sair gravemente feriados ou mesmo... mortos.
Os guardas tentaram me agarrar pelo braço com força, mas me movi rápido, dando uma cotovelada em suas 'partes' e me agachando para sair correndo. Funcionou.
Consegui me afastar do tumulto, e me vi encarando os muitos cartazes e propagandas na parede, e fiz o que queria fazer a MUITO tempo: passei correndo com minhas unhas em cima de cada um deles, arrastando pedaços arrancados,  jogando todos no chão e arrancado mais, até deixar todos os frangalhos daquela carnificina festiva no chão.
Eu consegui tirar muitos, e os encarrei por um tempo e os vi pegar carona nas correntes de ar, que levavam pra longe nosso cativeiro.
A multidão gritava dentro da área, esperando nossa entrada. Tinhamos que sair dali antes que notassem que nada iria acontecer, que não iamos entrar, antes que acionassem mais guardar e os sistemas de segurança.
Eu o procurei olhando para todos os lados do alvoroço, entre participantes e guardas e sangue. Sabia que ele estava a 4 pessoas atrás de mim, mas quando o sinal foi dado, não o vi mais.
Tinha que encontra-lo.
Voltei por todo o corredor estreito, socando alguns guardas. Quando se passa 6 anos lutando pela vida, se fica realmente muito forte.
Corri pelo corredor e esquadrinhei o lado mais aberto do lado das paredes altas e fortes da arena. Perto da porta de saída, eu o vi deitado, lutando com um guarda, jogado no chão, lutando da faca com os pés e com agilidade.
Eu me aprecei para ajuda-lo, correndo em sua direção, quando ele deu um chute no ar, errando a mão do guarda, e levando um facada profunda na perna.
Ele gritou de dor e cedeu ao chão, sem lutar mais. Como eramos todos muito fortes e o guarda apenas armado com um faca, sabia que se ele se levantasse, ele morreria, então começou a acertar com cortes os braços também.
Eu sai correndo o mais veloz que pude e me joguei contra o guarda, derrubando-o no chão junto comigo. Fiquei em cima dele, despejando todos os socos mais fortes que pude concentrar nas mãos. Ele ficou desnorteado pelo empurrão repentino e pela chuva de socos, mas ainda assim conseguiu passar a faca no meu braço e fazer um corte profundo. Com o braço enfraquecido com o fluxo de sangue sendo despejado, virei a cabeça dele para o lado e soquei com toda a força sua nuca. Ele pareceu ficar com pontadas no cérebro, então repeti os socos por umas 10 vezes, até sacudir de verdade o cérebro dele e assim, ele apagar ou morrer. Ele apagou, porque ainda estava respirando.
Tudo foi muito rápido.
Quando me dei conta, o sangue já escorria até a ponta dos meus dedos, e ja estava ficando meio zonza, mas me forcei a levantar e olhar pra ele. Ele ainda estava no chão, os arranhões escorrendo também e o corte na perna, impedindo-o de levantar aparentemente.
Me ajoelhei ao lado dele.
-Vc está bem? Consegue... consegue se levantar?
Ele apenas fez que não com a cabeça.
-Tudo bem! Não.... não tem problema. - eu disse tentando acalma-lo.
Arrastei-o para dentro da porta que haviamos saído, que eram nossos 'alojamentos' como chamavam, mas eram jaulas, até feno tinha.
Arrastei-o para dentro das jaulas e ficamos os dois no canto escuro. Peguei uma coberta imunda grande bege e nos escondi embaixo dela. Arrasta-lo só piorou a situação do meu braço, o fluxo estava ainda mais forte.
Eu arranquei um pedaço da minha camisa e enrolei na perna dele, bem forte, e ele fez o mesmo com meu braço, e ficamos apenas ali, um do lado o outro, tentando ficar imóveis por causa da dor, ouvindo os gritos, o calor do fogo e todos os outros participantes fugindo ou sendo pegos.
Tinhamos que escapar. Tinhamos que sair dali. Não mais. Chega.

Passaram já 3 anos que saímos daquela arena, salvos por um grupo de apoio que nem sabiamos que existia até o momento da revolução, e que nos acharam apenas pelas manchas de sangue no cobertor.
Eles nos ajudaram a derrotar os guardar e nos arrastaram para fora daquele inferno que vivamos enfurnados, sem poder sair nem nada. Dos mais de 10 participantes, apenas 6 restaram, contando comigo e com ele.
O mundo havia mudando demais fora de lá. As cores ainda existiam.
Acordamos quase 1 semana depois de sermos levamos para o hospital da resistência. Eu perdi os movimentos de três dedos e ele ficou um tempo enorme fazendo exercícios de fisioterapia para perna voltar a funcionar direito... mas estávamos vivos, e conseguimos manter a promessa que fizemos um ao outro quando jovens, assim que fomos jogados naquela lugar: Que só sairíamos de lá juntos.

- by Elize Blackmore
(inspirado em um sonho com Jogos Vorazes)

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Won't give up

Meus pais confiavam nele. Acho que foi essa a estratégia dele desde o inicio, trapacear com a confiança.
Fui sequestrada juntamente com duas primas e com mais um garoto, que não conhecia exatamente, mas me era familiar.
Eu não estava entendendo nada: não eramos uma família de dinheiro ou posses, então porque Não estávamos depondo em algum tribunal contra alguém importante, não estávamos fazendo nada, nada de anormal, então porque esse homem entrou em na minha casa, trabalhou pro meu pai, fez ele ter confiança nele, para depois nos manter em cativeiro dentro de uma casa longe e mal acaba, pequena e com cheiro de gesso?
Eu estava sentada em cima de um jornal sujo e velho e minhas primas choravam de desespero pela imagem do homem familiar, mas agora equipado com uma forte metralhadora grande e preta.
Ele não se comunicava com ninguém por walk-talk ou nextel, que seja, ele não tinha telefones para confirmar a missão, ele não entrou em contato com meus pais, nada! Ele não fez nada, apenas nos manteve em cativeiro e nos observou com a arma na mão com um ar tenso a todo o momento.
Eu o encarava sem vacilar, estava assustada e minha cabeça apenas mandava o sinal de sempre olha-lo para vigiar e assim impedir que ele fizesse algum mal a nós.
Ele encontrou meu olhar várias vezes e me encarava com um ar de indiferença e terror ao mesmo tempo, e eu simplesmente sabia que aquele homem não era mais o que havia frequentado minha casa ou trabalhado com meu pai, eu tive a certeza de que aquilo, aquilo lá dentro, era outra coisa.
Um pensamento me veio como um raio na mente: Se ele não se comunica com ninguém, pode ser que isso não seja um grupo, quadrilha, o qualquer outra coisa, mas que ele esteja agindo sozinho... e isso sinceramente, facilitaria a ideia de escapar dali, já que ele não teria nenhuma ajuda, e mesmo desarmados, estávamos em maior numero.
Não sei se pareceu a ele que eu arquitetava um plano, ou no minimo tinha chegado a conclusão de que ele estava sozinho, mas assim que esse pensamento passou pela minha mente e ele novamente cruzou seu olhar comigo, ele ergueu a metralhadora para o teto e o metralhou com fúria.
Minhas primas gritaram e o garoto se protegeu dos destroços que vieram abaixo.
Eu fiquei imóvel.
Aquilo era uma mensagem bem clara e barulhenta.
Ele não disse nada, apenas me olhou novamente e ficou andando de um lado pro outro pelo comodo, que eu presumi que fosse uma sala, pelo que restava de um sofá, um acesso para o andar de cima pela escada, e um corredor curto que levava para outro comodo que eu não sabia qual.
Eu comecei a tremer freneticamente, mas tentei me conter, não queria que ele visse que eu estava com medo. Aquele silencio e aqueles momentos iriam durar para sempre se não fizéssemos alguma coisa, pois ele não estava com cara de que sairia dali, a não ser algemado, por alguma policia que nem fazia ideia do nosso sumiço.
Minhas primas estavam abraçadas uma na outra, e chorando bastante, e tinha certeza que não poderia contar com alguma reação delas, então olhei para o garoto alto que parecia ter minha idade, que limpava os destroços da roupa. Depois de alguns segundos, ele me olhou também e tentei ao máximo demonstrar o que estava pensando para ele telepaticamente. Mexia os olhos repetidamente para demonstrar o plano: Ele derrubaria o homem no chão (ele era magro, mas pelo menos era homem), e eu correria desesperadamente para os outros cômodos. Claramente, o sequestrador iria atrás de mim para não me deixar escapar, e como agia sozinho, eles ficaram na sala, então poderiam correr e pedir ajuda, e se não corresse atrás de mim, eu seria a que iria pedir ajuda. Se alguém ia morrer... bem, eu preferir pular essa parte da telepatia.
Com o meu sinal ocular ele pareceu entender que eu queria que ele o derruba-se apenas, e que o resto ele descobriria assim que fizesse isso, pois acredito que ele também percebeu que aquilo seria para sempre se não fizéssemos algo.
E então ele agiu.
Esperou com que o homem armado virasse para o meu lado que era o oposto do dele e se jogou em cima dele com todo o peso. A surpresa fez o homem ir ao chão imediatamente, sem ter no que se segurar. Eu imediatamente me levantei e corri pelo pequeno correr, até passar pela porta sanfonada e chegar no comodo seguinte que eu identifiquei como a cozinha.
As coisas aconteceram rápido demais.
Encontrei outras armas em cima da mesa da cozinha, umas 3 outras metralhadoras carregadas, e assim que as vi, peguei uma delas e encaixei no corpo e voltei correndo para a sala. Ele chutava o garoto estirado no chão, e assim que se virou para me olhar, eu sem pensar duas vezes, disparei a metralhadora no peito dele.
Ele foi ao caiu no chão, cheio de furos, e eu soltei aquela arma quase tão rápido quanto a peguei.
'Eu matei uma pessoa, eu matei uma pessoa, eu matei uma pessoa...' era o único pensamento que cortava minha mente e um desespero subia forte em forma de lágrimas nos meus olhos arregalados.
'Ele esta morto' uma de minhas primas me disse ao olha-lo esparramado na sala, com sangue escorrendo.
O garoto se recompunha dos chutes e minha outra prima o ajudou a se levantar.
Eu tomei todo o folego que consegui e voltei a cozinha. Ali havia uma porta, e eu tinha que ver se estava aberta, tinha que nos tirar dali pra depois pensar no que eu tinha feito.
Eu apenas girei a maçaneta e a porta velha se abriu em um ranger forte. Olhei pela fresta para ver se realmente estávamos sozinhos e avistei uma maquina de lavar cheia de ferrugem e um quintal pequeno, circundado por um muro branco que dividia a casa de um matagal fechado. Abrindo a porta e saindo com cautela, pude ver que a porta da sala que estávamos ficava no mesmo corredor que a da cozinha e um pouquinho a frente, um portão velho e entre aberto, assinando nossa liberdade e nossa volta pra casa.
'vamos, podemos ir por aqui' eu falei alto para minhas primas e o garoto ouvirem, e sai para o quintal, andando rápido com sede de liberdade.
'NÃO, NÃO SAI POR AI' a voz estridente de uma de minhas primas soou pela grande janela com grades que ficava entre ambas as portas.
A porta da sala se abriu com um estrondo e o homem, sangrando com a arma em punho, estava novamente em pé, vivo e com a metralhadora a 10 metros de mim.
Ao invés de voltar ou correr, eu coloquei os braços fechados na frente do peito e do rosto, e assim eu protegi minhas partes letais quando ele disparou as pesadas balas em mim.

Assim que os disparos pararam, o garoto o puxou pela blusa para trás e ele caiu como um boneco, batendo a cabeça forte e apagando, quem sabe de vez.
Eu não estava morta.
O impacto dos tiros haviam me jogado para trás quase de volta a porta. Estava no chão, felizmente os tiros realmente não passaram perto do meu coração ou cérebro, e nem atingiram nenhuma parte letal, mas furaram meu ombro e perfuraram quase que todo o meu braço. Eu sangrava desenfreadamente e não conseguia me mexer. O grito foi engolido pela minha dor lancinante, que sufocava minha voz.
Acredito que o garoto já achou que eu estava morta, então entrou novamente para ajudar minhas primas a saírem e irem embora.
Não iria conseguir sair dali sem ajuda, definitivamente não, então precisava mostrar que ainda estava viva, de algum jeito, eu tinha que mostrar de algum jeito. Eu respirei o mais fundo que meu soluço de desespero me permitiu conseguir e me ergui, me arrastando até mais para frente do muro, perto de um ralo imundo, assim o garoto poderia ver que eu me mexi então deduzir que eu estava viva.
A dor quase me matou antes que eu conseguisse chegar onde queria, meu braços espirravam sangue e a dor de cada bala alojada era como se estivessem arrancando partes de minha carne com os dentes afiados de um vampiro.
Eu quase não consegui chegar até o ralo, que era a localização quase a frente da porta da sala, mas assim que o alcancei, encostei no muro branco imaculado, com os braços estendidos de tanta dor e falta de força.
O garoto saiu com minhas primas, ambas olhando o homem morto, com medo de que ainda pudesse reviver. Quando o garoto me viu, foi até mim correndo e se abaixou para olhar pra mim, meus olhos já estavam se revirando, eu sabia que logo iria ficar inconsciente, mas quando o garoto apenas tocou no meu braço e pareceu se afastar, minha mente gritou: não, não vai embora, não me deixa aqui por favor, volta! O desesperado mental fazendo o que minha fala simplesmente não conseguia.

Acordei do desmaio em uma maca de ambulância, ainda com a dor forte, mas um pouco amenizada. Os policiais e os médicos estavam por toda a parte e eu olhei em volta para ver se encontrava alguém. O garoto estava sentado na calçado de cabeça baixa e quando a ergueu e viu meu olhar, sorriu de lado, com um ar de alivio e vitoria. Eu tentei fazer o mesmo mas tenho certeza que não saiu tão bom. E ai entrei na ambulância.

Nunca descobrimos o porque aquele sequestro aconteceu e o motivo dele. Apenas sei que meu pai nunca mais contratou alguém para ajuda-lo em suas finanças e que os tiros não deixaram nenhuma sequela trágica, apenas muitas e muitas cicatrizes em minha pele.
Eu sei que eu matei um homem, eu sei que fui sequestrada, e eu sei que fui fuzilada... mas pareceu que tudo aquilo não chegava perto do sentimento mais triste que já tive quando achei que aquele garoto alto, que me entendeu telepaticamente e que me salvou no final das contas... o sentimento desesperador e desolador de achar que ele fosse me deixar para trás.

- by Elize Blackmore
(inspirado em um sonho recente)

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Heart by Heart

Passei no Speedy's como fazia todas as manhãs desde que comecei a trabalhar na vida. O melhor lugar para se tomar café da manhã e o único lugar que conheço que usa chantilly de verdade e não gordura vegetal.
Havia dormido muito mal aquela noite, então acordei mais cedo e fui relaxar um pouco sozinha nas cadeiras estofadas e confortáveis do café, lendo as páginas do meu livro.
Quando os vi entrando pela porta.
O Speedy's tem aquele sininho ridículo que vemos nos filmes e em desenhos, o que geralmente não me tira a concentração, mas dessa vez me fez olhar por cima das páginas com minhas lentes grandes do óculo, pois a figura de dois homens, um bem vestido, face iluminada e pronto para o trabalho acredito, e outro esfarrapado, barba mal feita, com expressão solitária, me chamaram a atenção.
'Traga um café da manhã caprichado para esse homem, por favor' disse o bem vestido, com um sorriso e olhos sonolentos, olhando para o amigo esfarrapado.
Conclui, voltando para minha leitura, que era provavelmente um bom homem fazendo um favor para um vagabundo de rua. Como dizem: As ações matinais tem o poder de mudar seu dia.
Bebericando meu chocolate quente, ouvi discretamente a conversa dos dois, que sentaram apenas a uma poltrona de distância da minha mesa ao lado, e como o café estava praticamente vazio, qualquer voz baixa, parecia uma concerto de rock.
'O senhor foi a primeira pessoa que demonstrou alguma gentileza comigo' balbuciou as palavras entre o bacon e ovos na boca.
O pobre homem, que por mais esfarrapado que estivesse, era bonito, tinha um belo rosto, e aparentava ter por volta de 40 anos.
O homem bem vestido apenas sorriu e continuo o observando comer desesperadamente a comida. O bem feitor tinha um rosto mais envelhecido, por volta de uns 56 anos... e quem diria, o pobre coitado morto de fome tinha um visual muito melhor que ele.
'Qual seu nome?' perguntou o homem.
 'Danny Reed.' respondeu o vagabundo com voz forte, limpando a boca com o guardanapo.
Me senti idiota de estar ouvindo essa conversa, tentei voltar para o meu livro, me concentrando nas palavras do bom autor.
'Vc precisa de dinheiro e algum lugar pra ficar?' perguntou o homem, com um sorriso agradável.
Minha nossa! O mundo realmente precisa de homens assim. Que gentileza de coração, que caridade... é, não ia conseguir voltar pro meu livro, mas era o disfarce perfeito para a minha bisbilhotagem em conversa alheia.
Danny não respondeu, acredito que tenha ficado tão atônito com a gentileza, que ficou sem palavras.
O homem bem vestido então colocou a mão dele sobre a de Danny.
'Se eu lhe dar $ 20 pratas, vc vem pra casa comigo?' disse levantando a sobrancelhas com um sorriso.
Eu quase derramei todo o meu chocolate quente quando o ouvi fazer a oferta.
Agora eu olhei para os dois, e Danny o encarava, engolindo a seco, sem saber o que dizer ou o que pensar imagino, assim como eu estava neste momento.
Eu os olhava vidradamente, sem ligar se veriam minha espionagem.
'Então?' ele pressionou.
Danny estava desesperado. Os olhos fixos no homem, como se TIVESSE que aceitar a oferta pela gentileza, mas tudo o incentivava a sair dali correndo.
Ele estava indefeso.
Eu nem acreditei que um homem que aparentava ser mais velho que eu, poderia ter um olhar tão assustado.
Eu era apenas um garota de 25 anos, com um trabalho meia boca, uma vida igualmente meia boca, socialmente isolada, romanticamente frustrada e sem nenhum histórico anterior de grandes feitos, mas eu não consegui, ao ver o olhar de Danny, ficar apenas atrás das páginas e dos óculos... como sempre fiz.
Eu me levantei e o homem já estava apertando com mais força a mão de Danny. Levando meu chocolate quente comigo e largando meu livro na mesa, parei ao lado da mesa dos dois, e Danny me olhou imediatamente.
'Não queremos nada, obrigada' suspirou o homem de terno, sem tirar os olhos de sua presa, me confundindo com a garçonete.
'Sei muito bem o que o senhor quer.' disse com firmeza, mas claro... estava morrendo de medo.
Ele levantou os olhos pra mim.
'Mostre-me uma sociedade em que caridade vira chantagem, e lhe mostrarei uma sociedade fadada ao desastre.' citei a primeira filosofa que me lembrei, ou melhor, a melhor coisa que me veio a cabeça naquela hora.
'Que falta de educação minha jovem, ouvindo a conversa dos outros.' ele rapidamente tirou a mão asquerosa de cima da de Danny.
'Eu pagarei o lanche para o cavalheiro aqui' disse para Kenny, a minha amiga garçonete que já nos olhava, desconfiada.
'Não é necessário, eu já farei isso' ele me enfrentou, com olhar furioso.
Danny me olhava, sem conseguir agora engolir a comida.
'Não vai trocar sua gentileza por favores sexuais, seu velho nojento.' eu disse me abaixando para ele, batendo a mão na mesa.
Ele me encarou por um momento, tentando avaliar nos meus olhos se estava mesmo convicta a salvar o homem esfarrapado.
Então soltou uma risada abafada.
'Volte para seu mundo de fantasia garota, isso não é assunto seu.' disse, voltando-se para Danny.
Eu olhei para Danny pela primeira vez diretamente agora. Ele estava de cabeça baixa, acredito que tentando decidir o que fazer. Então ele levantou seus olhos gradualmente para mim, e vi um homem em que a idade não o havia corrompido, um verdadeiro imaculado... um que valia o sacrifício.
Com o chocolate quente ainda na mão, eu tomei a decisão de não recuar e o derramei todo no meio das pernas do velho safado.
Ele se levantou rapidamente, me empurrando e claro, me xingando.
'ora, sua...'
'Está 'quente' o suficiente para vc?' perguntei levantando a sobrancelha e dando o mesmo sorriso que ele havia oferecido a Danny anteriormente.
O engravatado me encarrou com muita raiva nos olhos, e Kenny logo veio, juntamente com Otto, o barman, que felizmente, era grande o suficiente para intimidar.
'o que está havendo? o senhor está bem?' Kenny o olhou, vendo a mancha marrom entre suas pernas. 'urgh... o senhor... quer um guardanapo?'
'Não, não quero nada, não encoste em mim.' disse ele nervoso, puxando a maleta que estava nas poltronas. 'Isso que dá fazer o bem nos dias de hoje.' olhando para Danny com um olhar enfurecido e malicioso, terminou sua ameaça. 'outra oportunidade virá de lhe pagar algo, rapaz.' e saiu, me empurrando ao passar pra chegar a porta.
O sininho sacudiu com força.
'o que vc fez?' perguntou Otto.
'Era só um velho idiota e louco, eu pagarei a comida, tudo bem?' disse, relaxando agora.
'O que deu pra fazer isso menina?' então eu olhei para Danny, que ainda estava calado.
'Traz um suco de laranja pra mim por favor?'
'Tá... mas não expulse mais os clientes derramando a mercadoria neles, ok?' disse Otto, dando um riso abafado.
Peguei minha bolsa e livro e levei para mesa em que Danny estava. E o olhei. Ele segurava o garfo com firmeza, sem tocar mais na comida.
'Vc está bem?' quis encostas nele, mas preferi não fazer isso.
'Sim.' quase que nada saiu como resposta.
Suspirei.
'Me desculpe por me intrometer, mas eu não podia deixar ele fazer isso com vc. Que tipo de verme faz isso? Minha nossa... em que mundo estamos.' disse com raiva.
'Que livro está lendo?' Danny perguntou, mirando o livro em cima da mesa.
'Ah, é James Patterson... um dos melhores romancistas da atualidade na minha opinião... já leu?'
'Não... é sobre o que?' estava claro que ele não queria tocar no assunto, que queria tentar deixar o que aconteceu e o que passou na cabeça dele, ao meu julgamento.

Eu não fui trabalhar aquele dia. Pessoas entraram e sairam do Speedo's e nós dois ficamos lá, conversando, falando sobre tudo, rimos algumas vezes e nem acreditei como ele era inteligente e como era divertido.
Passaram das 21pm.
'Minha nossa, olha a hora! Preciso ir, ainda tenho muito que fazer em casa.' disse, olhando o relógio do café.
'Sim, claro! Me desculpe, falei demais.' Danny se desculpou, empurrando o prato.
'Claro que não, vc é muito divertido Danny! Obrigada por isso, obrigada mesmo.' disse sorrindo pra ele e acidentalmente encostando em sua mão.
Ele olhou imediatamente para o nosso contado. Eu tirei a mão rapidamente.
'Me desculpe.' sorri, envergonhada. 'Kenny, a conta, por favor?'
Gastei o dinheiro do café, do almoço, da passagem, do jantar e quem sabe da conta de aguá desse mês em apenas um dia, mas tanto faz. Passei tudo no crédito.
'Danny... vc tem pra onde ir?' perguntei.
'Na verdade, não. Eu geralmente ando a noite inteira pelas ruas e durmo mais de dia, é mais quente.' e eu entendi que o que ele quis dizer foi que o sol aquece o papelão de dia.
'Quer dormir lá em casa?' quando me toquei do que havia proposto, recuei na hora. 'não, calma... não é o que está pensando, só não quero que aquele velho tarado te ache novamente e faça algo pior do que um convite, só quero...' metralhei-o com explicações.
'minha mãe era como vc sabia? Ela tomava partido das pessoas, enfrentando quem precisasse pra defender quem ela achava que precisava.' ele rio. Não sei se de mim ou da lembrança.
Suspirei, aliviada.
'Entende então que meu convite não é sexual, certo?' ri.
'Claro. Eu aceito. Só quero que saiba que eu não uso drogas, bebo apenas pra esquecer o necessário, e não sou louco, então não vou roubar sua casa ou lhe atacar durante a noite, ok?' o sorriso dele me iluminou.
'C...certo!' disse, parecendo uma garotinha.
'Aliás, quando anos vc tem?' ele me perguntou.
'25 anos' franzi a boca. 'e vc?'
'Tenho idade suficiente para ser seu pai' disse.
Mas Danny me parecia sim ter mais idade que eu, mas não velho.
Paguei a conta e andamos até em casa, ainda com muito assunto.

Meu apartamento era uma bagunça sem limites, mas ainda consegui arrumar a sala confortavelmente para ele passar a noite bem. Lhe deu roupas limpas do meu irmão que havia passado o final de semana em minha casa e ele tomou um banho de quase 40 minutos.
Quando se deitou no sofá e eu dei um cobertor para ele, ele pegou minha mão.
'Vc foi, realmente, a primeira pessoa que mostrou alguma gentileza para comigo' me soltou e se virou para descansar e dormir como um menino.

Como dizem: As ações matinais tem o poder de mudar seu dia.... e esse dia, mudou a minha vida para sempre.

Ah, claro, acho que devo informar que eu e Danny nos casamos e temos agora uma filha com 2 anos. E os dois compartilham do mesmo olhar inocente, o mesmo que eu ainda quero proteger.

- by Elize Blackmore. 
(texto inspirado em um filme)  

sábado, 10 de agosto de 2013

What hurt most

Eles me encontraram. Me acharam de novo. 

Um dos psicopatas, loiro, bem pálido, sorrio gritando para o outros: “Ela esta aqui, é ela” quando me viu por detrás dos estilhaços do vidro do carro em pedaços.
Minha cabeça estava com um corte que pingava escorria sangue pelo rosto, minha perna presa perto dos pedais e meu braço cheio de cortes dos vidros estourados.
Meu coração disparado.
Forcei meu corpo a se mexer e tive que arrancar minha perna daquele emaranhado de ferros, e alguns pedaços de pele ficaram por lá. Eu tinha que fugir, tinha que sair dali imediatamente. Eles estavam se aproximando, com armas e sorrisos medonhos.
-Vai, eu tento tirar ele dai. – disse Paulo, o único amigo que pulou dentro do carro comigo, o resto tinha fugido amedrontado. Ele falava sobre Vinicius, nosso motorista, mas não acho que havia mais jeito de ajuda-lo.
Não queria deixa-lo pra trás, mas eu sabia que não teria outra escolha. Desci e contornei o carro correndo. Havia um muro na lateral da rua que dividia a estrada de um matagal abandonado. Corri até ele, pulando o muro baixo e me perdendo entre as plantas, muito altas, espeças e aglomeradas.
Os ouvi me seguirem. Pelo menos não ira acontecer nada com Paulo.
Me joguei na terra úmida, agachada. Eles já estavam no matagal, esquadrinhando a mata, juntos na clareira, com armas na mão. Eu podia os ver entre as folhas, mas sabia que não me viam, então me movimentei bem devagar, para ficar mais longe o possível.

Eles não foram atrás de mim. Acho que sabem que não há comida por aqui e que terei que sair uma hora ou outra. Mas tenho que aguentar ao máximo até bolar um plano.
Sabendo que havia me afastado o suficiente, me dei um tempo para sentar e verificar meus ferimentos, estavam feios e sujos agora, o frio do dia nublado e congelante não melhorava as coisas. Ouvi um barulho calmo de água perto dali e o segui, feliz por poder saciar pelo menos a sede. Cheguei ao pequeno lago que estava rodeado de grama alta e fui com sede ao pote, colocando a água na boca. Só pude sentir meu lábio cortar, água salgada, e bem salgada. Provavelmente alguém tentou fazer um experimento químico aqui. Fiquei parada encarando meu reflexo se movimentar, porque sabia o que era melhor fazer, para não ter que me preocupar com infecções. Respirei fundo, e com um movimento vertical, me joguei no lago. Nunca nenhuma dor foi tão dilaceradora quanto a água salgada limpando minhas feridas, e segurar o grito foi ainda mais difícil. Eu passava o liquido pela feridas, e as lágrimas desciam, e o resto congelava com a temperatura baixa.
Levei algumas horas para sentir meus músculos novamente depois de me benzer.
Já era final da tarde e fui verificar se ainda montavam guarda e como faria para despista-los. Quando me aproximei novamente do local que estava mais cedo, os ouvi gritando com alguém e a uma voz feminina amedrontada respondia.
Era Fabiane. Eles a haviam pego.
Me escondi entre as plantas, querendo correr para resgata-la, mas sabia que ela também não queria que me encontrassem, então só pude a ver de longe, em pé, enquanto eles rodeavam o perímetro e gritavam com ela.
Não sei dizer se ela sabia que eu estava ali, mas pude a ouvi dizer com firmeza: “Não se preocupe, corra daqui, eu não vou contar onde vc está, fique tranquila” era uma mensagem, ela estava me protegendo.
Meus músculos ainda estavam duros e gelados, mais tudo ferveu de adrenalina quando os vi baterem em seus joelhos, ela cair e cravarem um pedaço de ferro em seu crânio com facilidade e ela cair como um boneco.
Minha respiração não saia, mas meu corpo me puxava dali. Eu corri com toda a velocidade, fazendo barulho para abrir caminho entre a mata. Eles me viram, mas eram mais lentos que eu e mais pesados. Encontrei uma mata mais fechada e densa e mesmo sabendo que conseguia sobreviver na selva, fiquei com medo de entrar ali, mas eu não tinha escolha, então comecei a avançar para qualquer direção.

Eles me acharam. Eu tenho que correr. Tenho que me esconder. Eles não podem me pegar. Tenho que fugir.

- by Elize Blackmore
(Narrativa de uma dos meus sonhos ultimamente)

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

The Prayer.

“Não gosto de perder as minhas coisas, você sabe. E hoje, cercada pela sua ausência, procuro o que procurar. Experimentando o desânimo da busca desiludida. Pois, se um amor como aquele acaba dessa maneira, vale a pena encontrar um outro? Será inteligente apostar tanto de novo?” (Fernanda Young)

"Sabe quando você sente que se dessa vez você cair, nunca mais vai conseguir levantar ? É só que cansa se decepcionar sempre." (Moniz Caldas)

”O lance é que é difícil se desprender totalmente de um conto de fadas, porque quase todo mundo tem um tiquinho de fé e esperança que um dia eles vão abrir os olhos e tudo aquilo vai se tornar realidade.” (Grey’s Anatomy)

"Odeio não ter o que escrever. Parece que não tenho o que pensar." (Federico Ezequiel Devito.)

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Eternal.

Vc estava chateado, e eu entendi isso. Não era fácil tudo que estava passando. Eu sempre me colocava em uma posição que parecia que o meu mundo que iria desabar, enquanto, na verdade, era o seu que estava se estilhaçando em pedaços.
Estávamos calados, um olhando penetrantemente para o outro, como se quiséssemos guardar profundamente aquela cena, em que ambos estávamos molhados pela chuva forte e violenta que descera de repente.
Ele se virou para ir embora. Confesso que por um momento, eu pensei em não impedir, era melhor assim... não era? Eu sabia de tudo desde o inicio... não sabia? Nada estava muito bem gravado em minha mente agora, só me viam vagas lembranças de conversas e de imagens, irregulares, que se dissolviam com a voz que forrou minha mente, parecendo gritar: “FALE”. Não era o certo, não era para eu ter feito isso, mas a voz me controlou de tal forma que quando dei por mim, já havia o segurado pela manga branca e longa de sua blusa. Ele não se moveu, apenas parou de caminhar e pareceu deixar os ouvidos atentos para qualquer suspiro que eu desse. Ficamos calados novamente.
Eu encarei sua nuca. Uma pele alva e bela, com toques dourados subindo à cabeça, molhada pela chuva. Só de o olhar de costas, com seus ombros potentes e largos, e com a camisa social levemente transparente e delineando seu corpo como uma arte, me dava vontade de abraçá-lo e só soltar quando nos fundíssemos em um só. Mas dessa vez não ouvi a voz, que passava como uma linha sonora em meu cérebro.
Confesso que foi muito difícil tomar coragem para quebrar aquele silencio ensurdecedor, mas eu abri a boca com cuidado e o som de minha boca saiu roco (por causa das lágrimas, ou de uma possível gripe chegando?): “eu preciso que vc saiba de uma coisa, antes de ir.” Essas palavras me tiraram o fôlego. Senti como se tivesse ficado debaixo d’aguá por um longo tempo e, sem correr o ar para dentro de meus pulmões, sair de lá e tentar pronunciar algo.
Eu arfei. Ele... Não disse nada. Mas acredito firmemente na frase de “quem cala, consente”. Na verdade, essa era também minha única oportunidade de me sentir a vontade para dizer tudo que estava querendo sair de minha garganta sem meu consentimento inicial.
Interpretei o silêncio como um “prossiga” e, novamente, tomei todo o fôlego que consegui, tentando me concentrar para que os soluços de meu choro, não fragmentassem minha fala.
Respirei e, com toda a força que consegui juntar, continuei: “Eu quero que vc saiba que vai ser a coisa mais difícil que eu já fiz ficar sem vc; eu quero que saiba que o seu cheiro me persegui por todo o lugar que eu vo; quero que saiba que as vezes choro sozinha, simplesmente por não poder estar entrelaçada nos seus braços; eu quero que saiba que suas mãos fortes me fazem sentir protegida; eu quero que saiba que seus beijos me fazem perder o fôlego; eu quero que saiba que minha vida mudou depois de ter apenas olhado para vc; eu quero que saiba que quando eu penso em não estar com vc, não vejo mais futuro a minha frente; quero que saiba que eu quero que meus filhos se pareçam com vc; eu quero que saiba que meu coração, ainda hoje, bate acelerado quando vou te encontrar; quero que saiba que vc me mudou com um força muito ágil; quero que saiba que me sinto em um conto de fadas todos os dias; quero que saiba que quando vc me toca, eu sinto como se a mais macia e lisa seda estivesse se derramando pelo meu corpo; quero que saiba que eu não tenho medo de nada com vc; quero que saiba que quando me abraça, me segurando pela cintura, meu sangue parece aquecer instantaneamente; quero que saiba que os beijos inesperados que recebo de vc, me tiram o mais sincero dos sorrisos; quero muito que saiba que quando beija minha mão, fechando os olhos, eu me sinto a mais grandiosa das princesas... por fim, eu quero que sabia que eu amo vc. O amor nem sempre é perfeito. Nós cometemos erros, somos humanos, mas... quero muito que saiba que eu sempre tentei ser o mais perto da perfeição com vc. Eu nunca quis magoar-lo de qualquer maneira que fosse, então se eu o fiz, me desculpe. Mas saiba que eu tentei te amar do jeito mais perfeito que eu consegui.” Achei que fosse cair de joelhos naquele instante. Meu corpo estava tão fraco e anestesiado, que não sei como minhas pernas conseguiram manter-se retas, e, o mais importante, em pé.
Ele ainda permanecia quieto, imóvel, como se estivesse empalhado. Mas o senti tremer. Por causa do frio? Da chuva? Das minhas palavras?
“Vc não podia ir embora sem saber disso. Odeio quando vc vai e eu não digo as coisas que vc precisa saber, que vc precisa ouvir” saiu sem pensar.
Mas desisti, pois fui vencida pelo silencio de seu corpo e de sua voz.
Eu soltei sua blusa, percebi que estava muito tremula também, mas eu sabia exatamente a razão para aquela instabilidade.
Dei uma ultima respirada, pausada e silenciosa e me virei para deixá-lo para trás.
“Não tem pelo que se desculpar” ouvi a voz musical dele cortar o silencio da chuva.
Por puro orgulho, eu não me virei também, apenas repeti o teatro de outrora: parei de caminhar, mas não me voltei para ele.
Ainda não sei como ele se aproximou de mim tão rápido e silencioso, apenas sei que quando dei por mim, ele estava respirando um pouco acima de meu pescoço (o ar quente saia oscilante), fazendo todos os pelos de meu braço se arrepiarem instantaneamente. Segurou minha cintura (que pareciam nuvens me entrelaçando), se inclinou um pouco mais, tirou meus cabelos castanhos molhados da frente e beijou minha nuca, longa e docemente.
Mantendo o beijo, ele me apertou um pouco mais contra seu corpo. Eu senti seu batimento cardíaco em minhas costas. Estava tão rápido, tão acelerado... tão desesperado.
Mas igualmente como tudo aconteceu, ele me soltou, se virou e, dessa vez, foi mesmo embora, descendo as escadas. Seus passos foram fortes, pois eu pude ouvi-los cortando as posas d’agua e faziam uma espécie de cachoeira entre um degrau e outro.
E eu fiquei ali, parada por um bom tempo, sozinha, tentando codificar aquele momento. E me pus a caminhar para a saída.

*

Eu não o vi por um longo tempo depois disso. Mas ainda tinha fé, pois aquele beijo em minha nuca tatuou a palavra ‘esperança’ em meu coração.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

You're my number one.

Banhados pela luz branca daquela bola brilhante no céu estrelado, a mãe dos segredos e das canções de ninar, eles se abraçavam fortemente, como se um fizesse parte um do outro.
Ela tinha o céu como teto e seu abraço como abrigo, e não precisava de mais nada, pois até aquele ar que enchia seus pulmões de vida, só se fazia aparentemente importante, quando ela podia inspirar o perfume que emanava do corpo dele.
Os batimentos cardíacos de ambos eram acelerados. Como ela era mais baixa, ela conseguia encostar em seu peito e ouvir aquele órgão sedutor pulsar e bombear sangue quente por todo o corpo dele, sangue esse que aquecia o seu pequeno corpo, tanto por dentro, quanto por fora.
Aqueles carinhos que a tempo ela esperava, aqueles momentos que ela tanto ansiava, estavam agora sendo interpretados como palavras simples de um livro, pelas teclas do piano, instrumento que ele tocava com muita aptidão e sempre, a cada melodia, parecendo delicadamente desenhar a perfeição na tela rasa de sua vida.
Ela estava preocupada, nunca quis que ele fosse embora. Ela tremia e sentia seus olhos encherem de lágrimas só de pensar nisso, mas, por mais que ele dissesse que ela era tudo que ele mais amava, ela ainda sabia que ele tinha obrigações, ela sabia que ele teria que se afastar por um tempo, ela sabia que ele iria estar onde tinha que estar, mesmo que não fosse com ela. Mas também sabia... Ela sabia que poderia morrer apenas para abraça-lo, pois ela sempre esteve atrás dele, agora estaria sempre ao lado dele. Tinha certeza que a alegria eterna era totalmente tangível ao seu lado, e se fosse necessário que ela esperasse, e se fosse necessário que ela chorasse, e se fosse necessário que ela se entristece-se, ela o faria, porque tinha certeza que ele era feito para ela, porque tudo perfeito entre eles, porque tudo que ele falava, tudo que ele era, era sagrado e precioso para ela. Então, mesmo humanamente impossivel de aguentar a saudade, ela sabia que o amor entre os dois era puro, sincero e eterno. Se necessário esperar para o ter por inteiro ao lado dela, em sua plenitude, ela o faria.
Esses pensamentos viam como um caleidoscópio de cores e imagens, que logo se borravam e desapareciam quando ele respirava perto de seu ouvido, quando ele beija carinhoso e leve seu pescoço e seu rosto, fazendo todo seu corpo se arrepiar e seu sangue fervilhar de ansiedade por dentro.
Ela ainda não entendia aquela olhar. O olhar que a fitava com carinho e zelo, como se ela fosse a melhor pessoa do mundo, o que sabia que estava a milhas de ser. Ele tinha mil qualidades, ele tinha mil motivos para não estar com ela, e mesmo assim ela sentia que ele a via como a melhor mulher, como a melhor companheira, pois ele conseguia lhe atribuir qualidades que ninguém podia ver, ele gostava dela por tudo que ela era e pelo que ela ainda tentava ser. Na verdade, essa era sua parte preferida. Ele ria feliz quando ela se esforçava para ser melhor e adorava abraça-la quando sua insatisfação a fazia ficar com pico, pois ele adorava cuidar dela.
Queria envelhecer ao lado dele, queria morrer segurando sua mão, queria compartilhar tudo com ele, queria que o mundo soubesse, e estava pronta para gritar a plenos pulmões, que ele era sim o amor de sua vida e que seria para sempre o único homem dela, porque nunca se imaginou amando alguém dessa maneira, que todos que olhavam não compreendiam, que muitos hipócritas até olhavam com olhos maliciosos, tentando envenenar com uma gota de impureza o que era imaculado. Mas isso não aconteceria, porque o impuro só tem espaço se estiver acompanhado da luxuria, e o que eles tinha podia ser uma atração fisica forte, mas não era apenas seus braços ou lábios que estavam entrelaçados em um abraço ou um beijo, mas sim seus corações, o tipo de conectividade que nada externo destrói ou envenena.
Ela tinha poder de enfrentar qualquer coisa, enfrentar adversidades e paredes, porque o amor que ele lhe dava, fazia-a mais forte, pois ela só precisava ver seu rosto para se sentir realizada.
Por essa dependencia, ela tinha medo dele ir. Como poderia suportar, com palavras compreensivas, aquela separação indesejada e longa? Dizem que o tempo que passamos longe de quem amamos faz tudo que sentimos apenas crescer, mas por que? Isso machuca tanto. E como eles poderiam entender? Como poderiam saber como se sente quando não se tem mais as palavras necessárias, e elas deixam marcas, como cicatrizes que insistem em continuar sagrando? Se perguntava se aguentaria, mas ela tinha guardado profundamente em seu coração e mente que isso que tinham era para sempre. Sabia que o amor vence qualquer distância. Sabia que se fechasse os olhos, o sentiria perto, sentiria seu abraço, conseguiria tocar seu rosto no vento, conseguiria o ver desenhado nas nuvens, como uma prova de seu primeiro e grande sonho realizado. Ele permaneceria ali, dentro de seu coração. E ela estaria ali, intocada, sempre sua, o esperando.
Mas eles ainda estavam debaixo daquela luz branca, sendo espiritualmente lavados. Entrelaçados de corpo e alma, lá estavam, dizendo promessas, planejando o futuro, e dizendo que chegaria logo o tempo que não precisariam mais se despedir a cada fim do 6° dia, e que poderiam acordar unidos por cada amanhecer, e não separados pelo anoitecer.
Ele aproximou seu corpo do dela, segurando seu rosto com aquelas mãos delicadas, mas ao mesmo tempo masculas e fortes e disse, com sua voz doce, como uma orquestra composta apenas por arpas e violinos, que a amava, muito e para sempre. E ao mesmo tempo que as lágrimas quase rolavam de seus olhos escuros e inocentes, ele a beijou docemente.
Aquela foi, com certeza, a lua rodeada de estrela feito galáxia, mais linda que ela já havia visto.

~x~

Poste dedicado ao amor da minha vida, Lucas Estrada Denyszczuk.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Love Them Like Jesus.

The love of her life is drifting away
They’re losing the fight for another day
The life that she’s known is falling apart
A fatherless home, a child’s broken heart

You’re holding her hand, you’re straining for words
You trying to make - sense of it all
She’s desperate for hope, darkness clouding her view
She’s looking to you

Just love her like Jesus, carry her to Him
His yoke is easy, His burden is light
You don’t need the answers to all of life’s questions
Just know that He loves her and stay by her side
Love her like Jesus
Love her like Jesus

The gifts lie in wait, in a room painted blue
Little blessing from Heaven would be there soon
Hope fades in the night, blue skies turn to gray
As the little one slips away

You’re holding her hand, you’re straining for words
You’re trying to make sense of it all
They’re desperate for hope, darkness clouding their view
They’re looking to you

Just love them like Jesus, carry them to Him
His yoke is easy, His burden is light
You don’t need the answers to all of life’s questions
Just know that He loves them and stay by their side
Love them like Jesus

Lord of all creation holds our lives in His hands
The God of all the nations holds our lives in His hands
The Rock of our salvation holds our lives in His hands
He cares for them just as He cares for you

So love them like Jesus, love them like Jesus
You don’t need the answers to all of life’s questions
Just know that He loves them and stay by their side
Love them like Jesus
Love them like Jesus

~x~

Achei digno postar essa musica! estou me sentindo meio que assim! *-*

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Remember the Journey.

Agora, depois de ouvir palavras tão doces, que nutriram meu espírito, que a muito jejuava, quero passar há todos vcs.
Faço de minhas palavras, às de Shakespeare, em seu poema "Depois de algum tempo", mas apenas trasnscrevendo de um modo mais cristão:

Depois de algum tempo, você começa a notar a diferença, a sutil diferença, entre ouvir e escutar.
Aprender que as pessoas cometem seus erros, mas que não somos ninguém para julga-las.
Começa a perceber que as pessoas que amamos, vão nos decepcionar e nos afazer chorar algum dia, por isso precisamos começar a amar, os outros merecendo ou não.

Depois de um tempo, você nota que as pessoa sensível, ira dizer coisas pra vc, mesmo que não seja de vc.
Percebe que persistência em algo, pode ser muito mais compensador do que muitas ações vazias, ao longo da vida.

Começa a sentir que a mudança de coração, não é apenas um sofrimento momentâneo, mas uma coisa que leva tempo e lágrimas.

Depois de um tempo, vc percebe que a igreja é feita para os pecadores se aprimorarem, e que a desculpa de não se sentir digno pra entrar, é como afirmar que é perfeito.

Nota que, o Senhor ama o pecador e abomina o pecado, é misericordioso, mas ainda assim, justo.

Depois de um tempo, notamos que tudo um dia passa, mas as recordações ficam, e cabe a nós lembrar com sorriso ou com lágrimas delas.

Começa a notar que sua "verdade" fará seu carater, e por isso que qualquer desculpa para fugir disso, o enfraquece.

Começa a notar que todos te enchergam, e te julgaram pelo que você impos a eles.

Depois de um tempo, você percebe que o mal sempre triunfa, basta apenas o bem não fazer.

Nota e se regozija na verdade de que seu inimigo, é apenas você mesmo, por que satanás não tem poder sob seres com um corpo de carne e ossos.

Começa há ver que apenas você, e só você, escolhe se ofender/influenciar ou não por qualquer coisa que seja.

Depois de um tempo, você percebe que depois da primeira vez, as outras são consequencias.

Começa a ver que apenas sonhar, por mais que seja importante, não é o suficiente.

Depois de MUITO tempo, evoluindo e crescendo, começamos a perceber e notar que o único que nunca deixou de sorrir e te amar independente da circunstancia, e nunca ficou lhe julgando e sempre teve fé em você e te amou incondicionalmente e sem recuar ou falhar, e que sempre lhe puxou o braço para lhe socorrer, te carregou ao se cansar, e te ouviu sem lhe interromper, foi Jesus Cristo, aquele que raramente reconhecemos e enchergamos como o melhor amigo e único e verdadeiro salvador de nossa alma.

domingo, 13 de setembro de 2009

Quem nunca mudou com o tempo ?

Aos poucos você vai deixando de escutar certas músicas, de usar certas roupas, de falar com certas pessoas. Mudar faz parte do ciclo da vida, embora a essência seja sempre a mesma. Quando encontrar um obstáculo grande na vida, não desanime ao passar, pois com o tempo ele se tornara pequeno. Não porque diminuiu, mas porque você cresceu !

Eu estou Viva.


Eu coloquei sua photo virada para baixo.
Agora, vou dirigir ate o centro da cidade,
dançar sobre as mesas e chutar os copos.
E não esquecer dos 15 ou 24 amigos que fiz no bar; os estranhos mais conhecidos que tenho.
Nem vc, nem ninguem vai me tirar a minha noite quase sóbria.
Vou ver o sol nascer de novo.
Vou ver o sol nascer de novo.


Ser grande não é amar demais...

Ser grande não é amar demais e nem amar pouco. Ser grande é ser capaz de lutar contra você mesmo. Ser grande é tentar explicar verdades de você que ninguém seria capaz de acreditar. Ser grande é ser forte, é ser capaz de esquecer você mesmo sabendo que isso é impossível. Ser grande é ser sincero, é ser verdadeiro. É saber a hora de sonhar e a hora da realidade, mas nunca deixar de viver a realidade nos seus sonhos, e muito menos de sonhar na sua realidade. Ser grande é ser princesa, sapo, bruxa e fada; e ser ainda mais que tudo, VOCÊ !

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Our Farewell

In my hands a legacy of memories
I can hear you say my name
I can almost see your smile
Feel the warmth of your embrace
But there is nothing but silence now
Around the one I loved
Is this our farewell?

Sweet darling you worry too much
My child, see the sadness in your eyes
You are not alone in life
Although you might think that you are

Never thought this day would come so soon
We had no time to say goodbye
How can the world just carry on?
I feel so lost when you are not at my side
But there's nothing but silence now
Around the one I loved
Is this our farewell?

Sweet darling you worry too much
My child, see the sadness in your eyes
You are not alone in life
Although you might think that you are

So sorry your world is tumbling down
I will watch you through these nights
Rest your head and go to sleep
'Cause my child, this is not our farewell
This is not our farewell

~x~

Adoro essa música e acho digno colocar aqui! (Y)

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Prince & Princess

Como se diz quando uma pessoa vai embora ou chega até mesmo a morte? "Adeus?" e choramos rios de lágrimas em cima do caixão e depois esquecemos ele debaixo da terra. Mas... e aqueles que fazem história? Aqueles que parecem não morrer, não importa o tempo?
"Você pode alcançar a imortalidade, basta fazer uma coisa notável" essa frase realmente se faz ter efeito para algumas pessoas, e fez para você.
As pessoas geralmente são notadas, quando morrem, mas você sempre se fez aparecer! Você era o melhor no que fazia, no que desenvolvia... você virou único de muitas formas e jeitos.
Eu o via como um principe, e suas poses e ecensia fizeram tocar na alma de todos que desfrutaram parte desse seu talento.
O adeus que dizem, eu não consigo dizer, por que você ainda permanece aqui, intocado e com seu sorriso inalterado, por que é assim que você é, um principe sorridente que não se abala, não cai, enfrenta tudo, não passando por cima dos outros, mas apenas conseguindo se destacar mais que os outros.
Você seguio sua vida de sonhos, e agora parece ter alcançado as nuvens e as estrelas, e você alcançou o céu azul, atravessendo as nuvens negras abaixo.
Não vou dizer que não choro, ou mesmo não sofro por sua falta, mas você não é folhas em branco, é um livro vibrante e cheio de conteudo e emoção, o melhor tipo de livro.
Nada se compara ao seu jeito doce! Você foi forte, por que viver é que é dificil, e você fez o melhor possivel, tornando sua ida perpétua apenas mais um passo na luta... só que você foi sozinho, por isso que dói.
Principe, você ainda permanece aqui, e por mais que essa dor seja tão real e que nada possa apagar isso, nós vamos lembrar da pessoa, do artista, do amigo, do homem, da mulher, do herói, da lenda que você foi e eternamente será.
Que esse principe realuzente e enfeitando de penas e jóias, seja eterno enquanto dure... e que dure para sempre.

~x~

Em Memória de Jasmine You... Eterno principe.